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A rapidez esmagadora da intervenção
militar aliada no Iraque, vitoriosa em três
semanas, deixou os obsessivos antiamericanos em
posição vexatória.
Foram desmontadas suas ridículas antecipações
e desmentidos argumentos tolos usados para denunciar
o arrazoado da expedição. Durante
alguns meses ouvimos as alegações
mais absurdas veiculadas nos jornais e tevês,
mas, curiosamente, uma das fontes principais das
opiniões e boatos maliciosos se encontra
no próprio EUA onde encapuzados pseudopacifistas,
"liberals" do Partido Democrático,
prestigiosos midia como o NY Times, e os eternos
resmungões neurastênicos da turma
do "culpe logo a América" (blame
America first) nunca perdem a ocasião de
atribuir a "forças ocultas" na
sua sociedade cosmopolita a responsabilidade por
todos os dramas do cenário internacional.
As alegações provêem de um
misto de ignorância, ressentimentos, xenofobia,
preconceitos ideológicos, masoquismo romântico
e desinformação deliberada. A ousadia
revelada nas manifestações de rua,
porém, nos surpreendeu com a impressão
de um vigoroso movimento mundial contra o suposto
"imperialismo" brutal e tapado da atual
administração em Washington. Vejam
o mito do petróleo. Sua banalidade encobre
um paradoxo, pois o de que se tratou foi, precisamente,
evitar que Saddam estendesse seu poder sobre a
maior parte do Oriente Médio. Se viesse
a controlar os preços de mais de 50% da
produção mundial, o ditador iraquiano
poderia elevá-los a um nível que
afetaria toda a economia mundial, criando um novo
"choque" como os das décadas
70/80. A exploração dos poços
iraquianos estava também na mira de franceses
e russos, o que dá para explicar a posição
de Chirac e Putin nessa confusão.
Mas ouvimos outros ridículos protestos,
inclusive sobre a intenção dos EUA
de, simplesmente, dominar todo o Oriente Médio
em proveito de seu satélite, Israel. Alguns
autodenominados "analistas políticos",
notáveis por sua miopia, imaginaram o colapso
da ONU como resultado da "estupidez"
do presidente Bush, ou vislumbram um ominoso rompimento
entre a América e a Europa. No que diz
respeito às operações militares,
outros sábios profetas de algibeira anteciparam
um novo Vietnã, uma resistência heróica
no estilo de Stalingrado, uma guerrilha interminável
e desgastante, vaticinando o levante geral dos
muçulmanos em jihad apocalíptica
de conseqüências imprevisíveis.
Ora, o que ocorreu foi exatamente o contrário.
Os árabes vizinhos não se mexeram.
As divisões da Guarda Republicana evaporaram.
A população acolheu os aliados como
libertadores. Na metade do tempo, 20 dias, com
a metade dos efetivos empenhados (250 mil contra
meio milhão), diminuto número de
baixas tanto entre as tropas da coalizão
quanto nas fileiras do adversário, e menos
da metade de vítimas civis, George W. realizou
o que, na Guerra do Golfo de 91, Bush Pai conseguiu
para a libertação do diminuto Kuwait.
Como explicar então a explosão de
imbecilidade coletiva nas arruaças pseudopacifistas?
O premier italiano Berlusconi acentuou que as
manifestações da mentira coletiva
constituíram uma "blasfêmia
contra a paz", com suas bandeiras vermelhas
"manchadas com o sangue de 100 milhões
de inocentes". Se certamente não podemos
analisar as ocorrências em termos de oposição
esquerda x direita (Chirac é homem de "direita"
enquanto Blair, líder de um partido supostamente
de esquerda), não há dúvida
que a rede mobilizada pela internet no mundo ocidental,
com outras passeatas encomendadas pelos mandarins
de Beidjing e islamitas da Indonésia e
da Malásia, foi organizada por figuras-chave
da esquerda internacional. O esquerdismo, já
insistia Lenin, é uma "moléstia
infantil" - salvo que, no caso, não
da revolução bolchevista, mas da
globalização.
Os catalisadores das arruaças de Seattle,
Gênova, Washington, etc.; o pessoal do L'Im-monde
Diplomatique, um Bernard Cassen por exemplo, e
de toda a imprensa marrom, inclusive a do Rio,
São Paulo e Brasília; os endereços
na internet (que aqui registrei no artigo de 3
de março) como a Answer e a Unitedforpeace.org,
congregando milhares de ONGs eletrônicas
e mobilizando o radicalismo extremista dos "Foros
Sociais" de Porto Alegre e alhures, assim
como os padrecos marxistas, brasileiros, franceses,
belgas e italianos que se utilizam dos recursos
técnicos da globalização
para combatê-la - são estes os principais
responsáveis pela desesperada tentativa
de ressuscitar o movimento comunista nesta hora
tardia do processo liberal triunfante no mercado
mundial de idéias. Que o contra-ataque
dos reacionários de plantão se dirija
no sentido do antiamericanismo é fácil
de explicar. O resultado era previsível.
Foi, porém, ridículo e vexatório.
Um fiasco...
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