home
 

Desafio Islãmico

Freud, a Kabalá e a "Morte de Deus"

 
 
     


Elpis - espera e esperança da morte próxima

Conferência publicada na
Revista da Academia Brasiliense de Letras
Ano XVIII - nº 16 - Brasília 2000

 
 

É uma curiosidade de nossa época que a morte se tornou tabu e o sexo deixou de sê-lo. Outrora, era o contrário. A transição se processou no correr de minha geração. Como grande era antes a natalidade nas famílias enormes, intensa era também a mortalidade e baixa a expectativa média da vida, assistindo-se tão comumente à morte de pessoas familiares que a presença da megera se tornava banal, companheira constante da vida. Também havia mais fé, da qual hoje carecemos num século de quase universal apostasia. Outrora, pensávamos na morte, memento mori, porque o destino chamava para o céu, o purgatório ou mesmo para o inferno, para o qual nossos inimigos nos ordevam. E julgávamos conveniente uma preparação adequada. Nas classes mais cultas das nações avançadas, poucos hoje ainda sinceramente acreditam na imortalidade pessoal... quiçá até o "momento da verdade". Na literatura, no cinema, nos jornais, nas conversas de boa sociedade, ninguém muito hesita em retirar o sexo da extrema privacidade em que existia para uma publicidade ostensiva, explícita - enquanto o fim se tornou um escândalo, uma vergonha, um tema extremamente desagradável, revoltante, imoral, quase obsceno, É, de qualquer forma, algo "numinoso" em que não se deve tocar. Morre-se agora na mais absoluta solidão, freqüentemente em hospital, longe da família, num ambiente feio e frio como tememos. Leia mais